quarta-feira, 4 de julho de 2018

Dinamarca será o primeiro país do mundo 100% orgânico até 2020




Por Saber Viver Mais


A Dinamarca caminha a passos largos para se tornar o primeiro país do mundo 100% orgânico.

O país nórdico está trabalhando forte para substituir os alimentos cultivados com os métodos tradicionais por orgânicos e estimulando a demanda por produtos livres de agrotóxicos.

Uma dos objetivos é duplicar a produção de cultivos orgânicos antes de 2020, através de subsídios para os pequenos agricultores. Outra meta do governo é que 60% dos alimentos que são destinados a hospitais, escolas e restaurantes comunitários sejam orgânicos.


Pode parecer um plano audacioso, mas a Dinamarca trabalha há 25 anos para alcançar esses objetivos. Um exemplo disso a nível local é que o país tem criado projetos para que os municípios possam criar hortas em terrenos abandonados.
Mas porque consumir produtos orgânicos?

1) Evita problemas de saúde causados pela ingestão de substâncias tóxicas, como os resíduos de agrotóxicos e metais pesados presentes nos produtos convencionais.

2) São mais nutritivos e originam de solos ricos e balanceados com adubos naturais.

3) São mais saborosos. Em sua produção não há agrotóxicos ou produtos químicos que possam alterá-los.Alimentos quando são cultivados em seu próprio tempo e sem produtos químicos são mais saudáveis e saborosos.

4) Protege futuras gerações. A agricultura orgânica exclui o uso de fertilizantes químicos solúveis e agrotóxicos. Tem como base a preservação dos recurso naturais.

5) Evita a erosão do solo. Através das práticas conservacionistas, recupera e eleva a qualidade do solo.

6) Proteje a qualidade da água. Os agrotóxicos utilizados nas plantações convencionais atravessam o solo e poluem rios e lagos.

7) Restaura a biodiversidade, protegendo a vida animal e vegetal.


8) Ajuda os pequenos agricultores. Em sua maioria, a produção orgânica é realizada por pequenos núcleos familiares que tem na terra a sua única fonte de sustento.

9) Economiza energia. É o procedimento contrário da agricultura convencional que se apóia no petróleo como insumo de agrotóxicos e fertilizantes e é a base para a intensa mecanização que a caracteriza.

10) O produto é certificado. A qualidade do produto orgânico é assegurada por um Selo de Certificação.

* Nota: As informações e sugestões contidas neste artigo têm caráter meramente informativo. Elas não substituem o aconselhamento e acompanhamentos de médicos, nutricionistas, psicólogos, profissionais de educação física e outros especialistas.

domingo, 17 de junho de 2018

Cópia de carta de Colombo regressa a casa




De Joao Duarte Ferreira


Cópia de carta de Colombo regressa a casa



Afinal há histórias que acabam em bem. Na quinta-feira, o Vaticano recebeu a cópia original de uma carta com 525 anos enviada por Cristovão Colombo à Santa Sé quatro meses depois da chegada à América. O original foi escrito em espanhol e foram efetuadas várias traduções para latim. Uma destas cartas encontrava-se nos arquivos do Vaticano. No entanto, em 2011, um perito norte-americano recebeu uma carta de Columbo que declarou autêntica após um exame minucioso,


No ano anterior o mesmo perito estudou uma carta de Columbo no arquivo do Vaticano que acabaria por declarar como falsa. O caso acabaria por passar para as autoridades norte-americanas que deram início às investigações em conjunto com peritos do Vaticano.

As investigações concluiram que o original havia sido vendido a um negociante de livros raros por Marino Massimo De Caro, que as autoridades norte-americanas descrevem como "um ladrão de livros italiano notável" que se encontra detido em Itália.

Na cerimónia de entrega da cópia original esteve presente a embaixadora norte-americana na Santa Sé, Callista Gingrich, assim como outras figuras destacadas do Vaticano.

Os peritos afirmam que a carta vale cerca de um milhão de euros.

Brasil: diesel não chega às bombas menos R$ 0,46 depois de paralisação

Gazeta News



Quase 20 dias depois da paralisação dos caminhoneiros e pela segunda semana consecutiva, o preço do diesel nas bombas dos postos brasileiros ainda não refletiu a redução média de R$ 0,46 por litro realizada nas refinarias e acordada pelo governo para dar fim à greve de 11 dias nas estradas.

Segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), houve redução, mas ainda é um reflexo de estoques antigos e não do acordo.

O valor médio do diesel nos postos brasileiros atingiu uma média de R$ 3,434 por litro nesta semana, queda de 1,4% em relação aos R$ 3,482 registrados na semana anterior.

Além disso, para que o corte total firmado no acordo chegue ao consumidor final, muitos estados ainda precisam reduzir o preço de referência para a cobrança do ICMS.

A queda de alguns centavos é resultado do programa de subsídios ao combustível que fez parte do acordo.

Gasolina

A gasolina registrou preço médio nos postos de R$ 4,572 nesta semana, queda de 3 centavos, se comparada ao preço da semana anterior, segundo dados da ANP. A Petrobras permanece administrando reajustes quase que diários, seguindo indicadores internacionais, como o preço do barril do petróleo e o dólar.

Com informações da Agência Brasil.

Calote brasileiro no Mercosul deve acabar, diz deputado

SPUTNIK

A Representação Brasileira no Parlamento do Mercosul (RBPM) informou nesta semana que os atrasos em pagamentos e repasses do Brasil ante organismos dos Mercados Comum do Sul (Mercosul) já passaram de US$ 111 milhões.


O Brasil está devendo para o Parlasul, o Instituto de Políticas Públicas de Direitos Humanos, o Tribunal Permanente de Revisão e o Fundo de Convergência Estrutural do Mercosul.

Os parlamentares brasileiros na entidade já convocaram o ministro do Planejamento para explicar a posição do Governo brasileiro e para cobrar uma posição.



© AFP 2018 / JUAN MABROMATA

Ex-líder chileno: 'Brasil complica a vida do Mercosul'Sputnik Brasil conversou com o deputado Celso Russomano (PRB-SP), presidente da Representação Brasileira no Parlamento do Mercosul. Segundo o político, a situação financeira do Brasil junto às entidades do bloco está sendo resolvida.



O interlocutor da Sputnik explicou que os deputados do Parlasul têm informado os atrasos ao governo brasileiro desde dezembro do ano passado.

A sede da RBPM foi cedida aos representantes brasileiros pelo governo uruguaio, o que reduziu os custos. No entanto, sobram outras despesas, como funcionários, serviços públicos e administrativos. No total, os custos variam entre 130 e 140 mil dólares por mês.

"Estamos com dificuldades financeiras. O Brasil deve alguma coisa de 2016, o total de 2017, e em 2018 não foi feito o aporte", alertou Russomano.

A situação, entretanto, parece estar mudando, afirmou o deputado. Após cobranças dos deputados, o ministério do planejamento realizou um primeiro depósito ainda na sexta-feira e prometeu entregar na semana que vem um cronograma de desembolso das outras parcelas para ficar em dia com Mercosul.

Segundo o interlocutor da agência, Mecosul é muito importante para o Brasil e os brasileiros. O bloco econômico, juntando todos os seus membros, soma uma população que supera 300 milhões de pessoas, fortalecendo as posições no diálogo com Nafta e União Europeia.

"Acredito muito na união desses países. Só assim teremos de fato força para discutir hoje com um bloco como a União Europeia, agregando uma quantidade imensa de países e uma população extraordinariamente grande", argumentou o Russomano.

"Por sermos um bloco, somos respeitados. Se não mantermos esse bloco, teremos sérios problemas no mundo globalizado, onde as discussões são pautadas pela força econômica", concluiu.

Estado brasileiro, a eterna vaca leiteira

DW


O próximo governo vai ter que cortar gastos estatais, senão a ameaça é de inflação galopante. Mas os brasileiros não parecem dispostos a engolir essa pílula amarga.





Respostas da população á greve de caminhoneiros foram ambíguas


A greve dos caminhoneiros teve o apoio da maior parte da população brasileira: 87% foram a favor do bloqueio das estradas por 11 dias, mesmo que a maioria tenha logo ficado sem combustível nem gás de cozinha, e nos supermercados os alimentos tenham rareado.

Achei isso surpreendente, até porque o governo cedeu logo às exigências dos motoristas. Mais espantoso, porém, eu achei uma outra constatação da sondagem do fim de maio: 87% dos brasileiros eram contra as concessões aos grevistas serem financiadas via impostos ou aumento no preço da gasolina.

A conta deveria... sim, ser paga por quem? O Estado, a Petrobras? Pois isso só pode querer dizer que todos os brasileiros terão que pagar impostos mais altos para cumprir as exigências da classe, sejam elas justas ou não.

Duas semanas mais tarde, afinal de contas, dois terços dos consultados achavam que, no total, a greve tinha trazido mais danos do que vantagens. O que certamente tem a ver com o fato que, desde então, ficaram bem mais altos os preços da gasolina e do gás, assim como da maior parte dos alimentos, e permanecem nesse nível elevado.

Eu me pergunto se essa insatisfação com o resultado da greve pode ser uma primeira indicação de que lentamente os brasileiros se dão conta de que gastos estatais crescentes acabam sendo pagos por eles mesmos, de que a conta não é paga num passe de mágica por um poderoso Estado.


Alexander Busch

Pois os gastos do Estado no Brasil, que há 15 anos aumentam sem parar, são até agora pagos com dívidas e impostos. Se o próximo governo não conseguir reduzir seus gastos (ou aumentar ainda mais as arrecadações), no médio prazo nada restará ao país senão amortizar o déficit através da inflação, como o país já fez várias vezes em sua história, para sanear o orçamento público. Com altos custos sociais, pois a inflação atinge sobretudo os pobres.

Não tem que ser assim. Martin Raiser, do Banco Mundial no Brasil, divulgou recentemente um estudo mostrando que seria possível reduzir os gastos públicos, sem incrementar a taxação já alta. Seria possível poupar 5% do PIB cortando despesas ineficazes, sem prejudicar os pobres. Pois os gastos do Estado brasileiro são profundamente injustos.

"O Estado tira dinheiro dos pobres e dá para os ricos, na forma de subsídios e estímulos à indústria", aponta Raiser. Os altos funcionários públicos – muito bem pagos e privilegiados, em comparação com o setor privado – contam entre os beneficiados do sistema tributário socialmente injusto, da mesma forma que os filhos dos mais abastados, que podem estudar de graça nas universidades federais. Dois terços dos estudantes das universidades estatais vêm dos 10% das famílias mais ricas do país. Além disso, setores inteiros são financiados com subsídios, sem qualquer plano nem controle. A lista vai longe.

Mas tenho dúvidas de que se vá chegar a um consenso político e mudar algo na relação entre os gastos estatais e os privilegiados – sobretudo quando vejo os meus amigos da classe média desempregados e subempregados.

Quanto mais perdura a crise da economia, mais promissor e atraente é para eles um emprego no Estado, com bom salário, segurança alta, numerosos privilégios e aposentadoria precoce e alta. Em vez de sacudir o sistema, todos preferem tentar se acomodar sob as asas do Estado.

Eu temo que, no médio prazo, o Brasil vai mais uma vez sanear o orçamento público com um choque inflacionário – com consequências sociais e políticas potencialmente explosivas. Tomara que eu esteja enganado.

Há mais de 25 anos o jornalista Alexander Busch é correspondente de América do Sul do grupo editorial Handelsblatt (que publica o semanário Wirtschaftswoche e o diário Handelsblatt) e do jornal Neue Zürcher Zeitung. Nascido em 1963, cresceu na Venezuela e estudou economia e política em Colônia e Buenos Aires. Busch vive e trabalha em São Paulo e Salvador. É autor de vários livros sobre o Brasil.

"Para alguém de fora, fragmentação no Brasil assusta"

Em entrevista à DW, diretora de fundação alemã diz ser impressionante, para uma observadora estrangeira, atual descrédito da classe política e explica por que vê diferença entre ascensão da direita brasileira e europeia.





A diretora do escritório da Fundação Heinrich Böll no Rio de Janeiro, Annette von Schönfeld, considera o governo Temer um produto "das elites para as elites”, que leva a ONG vinculada ao Partido Verde alemão a repensar sua área de atuação dentro contexto político do país.

"Não existe muito interesse do atual governo em ouvir entidades de representação da sociedade civil. Isso faz com que tenhamos que redirecionar um pouco nosso foco”, afirma.

Durante palestra promovida nesta quinta-feira (14/06) em Berlim pela Sociedade Brasil-Alemanha, ela falou sobre a fragmentação do atual panorama político brasileiro, a poucos meses das eleições presidenciais.

Em entrevista à DW, a analista diz ser assustador o atual descrédito da classe política em um país marcado por uma série de escândalos de corrupção e explica por que considera a prisão de Lula e o impeachment de Dilma Rousseff frutos de condenações "meramente políticas”.

Deutsche Welle: Como tem visto essa polarização que existe atualmente no Brasil, nas vésperas da eleição presidencial?

Annette von Schönfeld: O Brasil mudou muito nos últimos 20 anos. Mas não acredito que a sociedade esteja tão rigidamente polarizada. O Brasil é um país em que as pessoas tentam entrar num diálogo. Há uma direita que está forte, que apoia o pré-candidato à presidência Jair Bolsonaro. Mas eu não posso dizer com convicção que Bolsonaro seja mesmo uma figura de liderança da direita.

Ele também é bastante criticado. Muitos o consideram politicamente interessante, mas não exatamente competente em todas as áreas. Ele mesmo diz, por exemplo, que não entende de economia e que tem que ser assessorado por bons conselheiros na área. Por isso, uma parcela do eleitorado não se diz convencida por ele. Ele é uma figura contraditória, e seu eleitorado é composto daqueles que querem uma melhoria econômica e isso tem menos a ver com uma opinião política.

Já a esquerda, que apoia o PT, está bastante apegada a sua campanha pela liberdade de Lula, o que parece ser algo sem perspectiva. Mas, assim, a direita e a esquerda não estão em luta direta. Eles são dois campos que não se combatem tão seriamente, mas que trilham seus próprios caminhos.

Algo que é assustador para alguém de fora a dimensão da fragmentação existente no Brasil e a perda de crédito do setor político de centro. Todo o campo político perdeu sua legitimidade de forma muito forte devido a todos esses casos de corrupção, e a população perdeu a confiança nos políticos enquanto classe que decide os rumos do país.

É possível comparar a radicalização do cenário político brasileiro com o que acontece na Europa, com os movimentos populistas de direita, como o partido alemão AfD, ou mesmo com os EUA de Donald Trump?

Bolsonaro tem muitos partidários jovens, ele tem mensagens curtas, usa bastante o Twitter, como Trump. Também é polêmico, ele aborda muitos problemas de forma não muito construtiva. Eu acho que ele dá poucas soluções, ele prefere ser contra dar novas sugestões. Ele tem o discurso de que o Brasil precisa crescer, e que essa crise tem que ser superada e que ele quer superá-la. Mas acho que ele tem pouco conteúdo que pudéssemos citar.


Annette von Schönfeld é desde março de 2017 diretora do escritório da Fundação Heinrich Böll no Brasil

Por outro lado, não há xenofobia no Brasil, também não há, de fato, um problema relevante de refugiados ou uma crise de identidade como nação. Quer dizer, o Brasil não tem pretensões de ser grande novamente em relação a outros países. O país está em crise, mas não há um apelo para que esta crise seja superada através de nacionalismo. E esse é uma grande diferença daquilo que conheço entre a direita na Europa.

Há uma maciça crise econômica, há um grande medo de empobrecimento e também há uma grande perda de confiança na tradicional elite política, e as pessoas procuram alguém que possa restabelecer a ordem. E é essa brecha que ele tenta usar e consegue ter bastante sucesso em seu discurso.

Você diz que parceiros da Fundação Heinrich Böll no Brasil têm sido enfraquecidos devido ao pouco interesse do governo Temer em grupos de representação da sociedade civil. Como sua entidade está se direcionando nesse atual panorama político?

Temos que nos adaptar atualmente. Há problemas que se acirraram, como nos campos dos direitos humanos e da segurança. Ativistas políticos são perseguidos de outras formas, não necessariamente diretamente pelo governo, mas de outra forma.

Por exemplo, na Amazônia, as disputas por terra aumentaram. E ativistas do meio ambiente realmente vivem sob ameaça crescente. Apoiamos, por exemplo, grupos de advogados que auxiliam judicialmente essas pessoas. Também apoiamos grupos da sociedade civil que tentam fazer trabalho de lobby em temas do meio ambiente, direitos humanos, direitos da mulher, por exemplo.

Nós contatamos que, sob o governo Temer, esse trabalho de lobby perdeu muito em relevância da perspectiva da sociedade civil em relação ao que era possível durante o governo do PT, no que diz respeito ao diálogo com representantes políticos.

Agora, temos que escolher ouras estratégias por causa das eleições, que fazem com que tenhamos que aguardar para ver quem vai ser eleito e para ver que novos tipos de movimentos poderemos apoiar.

Da perspectiva alemã, que candidato oferece uma melhor perspectiva de intercâmbio com a Alemanha e com o exterior?

Acho que possivelmente todos teriam um bom diálogo com o exterior. Também é quase certo que o PT não chegará ao segundo turno com um candidato próprio, porque Lula, muito provavelmente, não poderá se candidatar. Mas toda a coalizão que estiver mais no lado da esquerda e centro-esquerda tem, com certeza, outro entendimento de participação da sociedade civil. Porque esses partidos acreditam que políticos precisam de aconselhamento e que aconselhamento a partir de representantes da sociedade civil é algo enriquecedor.

Por que você acredita que o impeachment contra Dilma Rousseff e a prisão de Lula são processos meramente políticos?

Na minha opinião, as acusações feitas a Dilma não são muito distantes das práticas políticas de muitas instituições políticas. A manobra orçamentária de que ela foi acusada é algo que foi criminalizado no caso dela, mas que não foi criminalizado quando praticado por muitos outros políticos. E isso foi criminalizado por motivos políticos, porque uma elite de direita e conservadora achou que conseguiria, com essas acusações, obter uma maioria para aprovar um processo de golpe parlamentar, o que realmente aconteceu. Havia uma crise econômica que foi mal gerenciada por Dilma Rousseff, uma crise que dura até hoje. Acho que as elites acharam que conseguiriam rapidamente reverter tudo o que havia sido feito, conseguindo sair da crise rapidamente, não necessariamente para proveito da população, mas sim da parte economicamente mais privilegiada – e acho que isso não funcionou. Mas, para mim, constitui golpe tirar alguém do poder por motivos meramente políticos. Alguém que, na verdade, não fez nada de mais.

No processo contra Lula, há uma dinâmica política bastante parecida. Ele foi condenado por causa de um apartamento que seria seu, mas essa condenação é apoiada em indícios bastante frágeis, que não teriam sido suficientes no caso de haver outra constelação política. É possível discordar sobre se ele sabia ou não dos casos de corrupção, embora pareça improvável que ele não soubesse de algumas coisas, mas ele não foi condenado por isso. As provas para sua condenação são bastante inconsistentes. Ele também está na liderança isolada das pesquisas de intenção de voto, e tudo isso leva a crer que este seja um caso de condenação política.

No começo de sua palestra em Berlim, você falou que o governo Temer é um governo da elite para a elite. Por quê?

Os poderosos tradicionais no Brasil se irritaram bastante quando o PT conseguiu chegar ao poder, temeram grandes perdas e tinham a ilusão que, se eles próprios chegassem ao poder, conseguiriam estar muito melhor economicamente. Lula é politicamente muito hábil, e o Brasil viveu um período de crescimento econômico durante o seu governo, fazendo com que as elites não tivessem muito a reclamar.

Então veio a crise, e no começo se tentou, no âmbito desta crise, tirar o PT do poder. Porque, apesar do crescimento econômico, o PT continuava sendo uma pedra no sapato da elite. Então, ela esperou o momento certo, a brecha certa para conseguir tirar o PT do poder. E os pacotes de reformas que foram implementados depois foram fortemente centrados em se desfazer muitas conquistas dos trabalhadores, ou em retroceder programas como os de acesso à educação ou à saúde das pessoas para os menos favorecidos.

Muitos programas foram, se não totalmente cancelados, pelo menos bastante reduzidos. Quando, por exemplo, órgãos como a Funai, responsável por reservas indígenas, são reduzidos, são abertas portas para uma outro tipo de política. E, outro exemplo, a reforma trabalhista não é só uma reforma, mas um retrocesso de 30 anos para o país, no que diz respeito às conquistas sociais para os trabalhadores. E essa radicalidade com que se tenta retroceder politicamente me leva a dizer que o governo é feito de elites para as elites, porque eles querem ter o país de volta ao que era antes.