quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Índios afirmam que governo enganou tribo com usina de São Luiz do Tapajós


EFE

Índios afirmam que governo enganou tribo com usina de São Luiz do Tapajós

Rio de Janeiro, 16 set (EFE).- Os índios mundurukus acusaram nesta terça-feira o governo de tê-los 'enganado' e de descumprir o acordo de consultar a tribo antes de ordenar a construção de uma nova usina hidrelétrica na Floresta Amazônica.

O povo Munduruku disse que está 'indignado' com a decisão do governo de convocar para o dia 15 de dezembro a licitação da usina de São Luiz do Tapajós, segundo um comunicado divulgado pelo Conselho Indigenista Missionário (CIMI), organização ligada à Igreja Católica.

Há duas semanas, representantes do governo se reuniram com os mundurukus devido ao direito da tribo de ser consultada, o que consta na Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), já que a obra afetaria as terras da nação indígena.

Os índios acusaram o governo de 'descumprir suas palavras' e de 'não agir de boa fé'. Além disso, exigiram que a convocação da licitação seja cancelada até que eles tomem uma decisão a respeito.

A represa será construída no rio Tapajós, no Pará, terá potência instalada de 8.040 megawatts (MW) e deve começar a operar em 2019, informou o Ministério de Minas e Energia.

A construção de outra grande hidrelétrica na Amazônia, a usina de Belo Monte, cujas obras começaram em 2010, causou vários protestos de índios e camponeses que vivem na região.

Nesse caso, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) solicitou em 2011 a suspensão das obras pelas deficiências no processo de consultas prévias aos índios, mas o governo brasileiro se negou a acatar a decisão.

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