sexta-feira, 17 de março de 2017

Morreu eletrocutado no banho enquanto carregava o iPhone

DN


Médico legista vai enviar recomendação à Apple na sequência do episódio

Um médico legista britânico planeia enviar um relatório à Apple para que a empresa trabalhe no sentido de prevenir mortes e informar melhor os seus clientes. Isto depois de Richard Bull, de 32 anos, ter morrido em dezembro passado enquanto tomava banho e o seu iPhone ter tocado na água quando estava ligado à corrente para carregar a bateria.

Segundo foi dito no inquérito judicial à morte de Bull, este ligou o carregador do telemóvel a uma extensão e tinha-o pousado no peito. Quando o telemóvel tocou na água, o homem morreu eletrocutado, com graves queimaduras no peito, braço e mão.

Agora, o médico londrino Sean Cummings, que liderou o inquérito - e classificou a morte de acidental - vai enviar à Apple um relatório para evitar futuras mortes no mesmo contexto.

A organização Charity Electrical Safety First diz que o acidente demonstra o perigo de ter aparelhos elétricos perto de água.

Steve Cutler, responsável pela segurança de produtos da organização, esclarece que é pouco provável uma pessoa ser eletrocutada por um portátil ou um telemóvel desde que este não esteja a ser carregado.

O risco, afirma, surge quando os aparelhos estão ligados à corrente, a carregar. Ainda que estes aparelhos utilizem uma voltagem baixa - 5 a 20 volts - é possível em situação de curto circuito (como a que ocorre quando o aparelho toca na água) passar uma corrente mais potente.

"Mesmo que o cabo ligado ao telefone seja de 5 volts, algures na cadeia este está ligado à eletricidade e as pessoas confiam nos cabos e no transformador para ter a certeza que não entram em contacto com a corrente", acrescenta.

Assim, alerta especialmente para os carregadores sem marca ou mais baratos, que podem simplesmente não oferecer a proteção necessária. Mas até com carregadores de marca existe um risco.

"As pessoas têm de ter noção do perigo de ter aparelhos elétricos na casa de banho. Se ligam algo à eletricidade é preciso estar ciente do perigo", disse Sheila Merril, delegada de saúde pública da região, citada pela BBC.

A Royal Society for the Prevention of Accidents (ROSPA), órgão britânico vocacionado para a prevenção de acidentes, diz que situações como a de Bull não são comuns, mas acrescenta que muitas marcas de telemóveis não trazem aconselhamento sobre os riscos de eletrocussão no manual de instruções.

A Apple ainda não comentou o episódio.

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